terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Moeda velha

Hoje eu achei uma coleção de moedas antigas que era da minha bisavó... É incrível como as coisas surgem no meio de anos e anos de preguiça acumulada.

Não chega a ser uma COLEÇÃO DE MOEDAS... Aliás, beira o limite de ser considerada tralha, mas foi o elemento surpresa da descoberta que transformou um “nossa, quanta tralha” em um “olha, uma coleção de moedas!”

Tem várias moedas legais, mas uma me chamou a atenção. Não é brilhante como algumas outras, é cor de ferrugem. Talvez porque seja realmente ferrugem. Não é grande demais nem pequena demais, aliás se assemelha em cor e tamanho à nossa moeda de 5 centavos (da nova, não a prateadinha).

O que eu achei muito interessante é o texto: “Rebublique Française - 20 centimes, 1963”. Faz 46 anos que ela foi feita.

Eu estou com ela há uns 5 anos, minha bisavó deve ter ficado mais uns 10, o que quer dizer que durante quase 30 anos essa moeda pode ter estado em qualquer lugar do mundo, na mão de qualquer pessoa!

Parece besta, mas pra mim é incrível! Eu posso até imaginar a primeira vez que ela foi encontrada...

Pierre Bordeaux era um jovem de vinte e poucos anos, não muito inteligente, mas bem observador. Ele estava passeando pelos jardins da Torre Eiffel, em Paris, quando viu a moeda no chão. Imediatamente abaixou para pegá-la, nem reparando que sua calça rasgou quando ele fez isso.

Pierre se levantou, guardou a moeda no bolso, e olhou para cima. Provavelmente pensou que alguém tivesse jogado a moeda lá do alto da Torre, contando quantos segundos demora pra chegar ao chão.

Enquanto Pierre apertava os olhos para tentar identificar o antigo dono da moeda, a pequena protagonista metálica rolava felizmente pelo rasgo na calça do rapaz, de volta ao chão.

Nãão, não foi Pierre quem ficou com a danadinha. Ele era burro demais para ficar com ela. Foi Michél, o cara da barraquinha de crépe, que assistiu a cena toda em meio a gargalhadas e um crépe de presunto. Quando Pierre foi embora, feliz da vida por ter encontrado (e, mal sabia ele, perdido) uma moeda, Michél foi lá, a pegou para si e colocou no seu cofrinho de economias para viajar ao Brasil.

Talvez tenha sido assim, ou talvez tenha sido de outro jeito.

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