quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Interpretando a canção

Latino – Festa no Apê


Refrão:
Hoje é festa lá no meu apê
pode aparecer, vai rolar bundalele
hoje é festa lá no meu apê
tem birita até o amanhecer

Chega aí, pode entrar
quem ta aqui, tá em casa
chega aí, pode entrar
quem ta aqui, tá em casa

Olá, prazer
a noite hum.. é nossa
garçom, por favor venha aqui
e sirva bem a visita

Tá bom, tá é bom
aqui ninguém fica só
entra aí e toma um drink
porque a noite é uma criança

Refrão

Tesão
sedução
libido
no ar
no meu quarto tem gente até fazendo orgia

Tá bom, ta é bom
tudo é festa!
pegação
vou zoar o mulherio
e a chapa vai esquentar

Refrão até fade out

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...Essa música é de difícil interpretação, pois apresenta uma levada alegre e que nada tem a ver com o conteúdo implícito nas linhas dessa dinâmica cantiga inspirada nas belas ideologias espargidas por Marx.
...Essa canção é uma proclamação poética contra a americanização, o capitalismo invasivo e a degradação do ser humano, que é submetido aos produtos desmedidamente. Logo no título (“Festa no apê”) o compositor expressa sua revolta para com essa invasão comercial que faz nossos lares parecerem uma festa de mercadorias, onde nós abrimos mão do direito de sermos cidadãos para nos tornarmos meros consumidores.
...Os produtos são citados de diferentes maneiras: no começo ele diz “birita”, mostrando um linguajar informal e retratando de maneira exata a intimidade que sentimos com esses produtos, como se fossem nossos amigos. Logo depois ele diz “toma um drink”, se referindo à inebria que sentimos quando nossas necessidades são sanadas materialmente, por meio da compra de mercadorias.
...Já a orgia a que ele se refere seria essa interação multi-sensorial entre o consumidor e o produto, uma orgia material. Essa idéia também aparece de outras formas (tesão, sedução, libido), o tesão pelo consumo, a sedução que o capitalismo nos causa, a libido que nos é despertada quando vemos um novo produto, tudo isso para frisar sua teoria de que os produtos são como drogas viciantes.
...A última investida pesada contra o sistema atual é a efemeridade das coisas, a cultura do descartável. O trecho “tudo é festa, pegação, vou zoar o mulherio” deixa isso bem claro, demonstrando que hoje em dia não existe mais amor, lealdade, fidelidade. Tudo se resume a “pegar”, “zoar as mulheres”, como se fossem meros objetos de consumo.
...Essa música é uma das pérolas nacionais, e para muitos desponta como a segunda melhor crítica ao capitalismo e ao sistema burguês, perdendo apenas para o Manifesto Comunista (de Marx e Engels).

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