Hoje eu achei uma coleção de moedas antigas que era da minha bisavó... É incrível como as coisas surgem no meio de anos e anos de preguiça acumulada.
Não chega a ser uma COLEÇÃO DE MOEDAS... Aliás, beira o limite de ser considerada tralha, mas foi o elemento surpresa da descoberta que transformou um “nossa, quanta tralha” em um “olha, uma coleção de moedas!”
Tem várias moedas legais, mas uma me chamou a atenção. Não é brilhante como algumas outras, é cor de ferrugem. Talvez porque seja realmente ferrugem. Não é grande demais nem pequena demais, aliás se assemelha em cor e tamanho à nossa moeda de 5 centavos (da nova, não a prateadinha).
O que eu achei muito interessante é o texto: “Rebublique Française - 20 centimes, 1963”. Faz 46 anos que ela foi feita.
Eu estou com ela há uns 5 anos, minha bisavó deve ter ficado mais uns 10, o que quer dizer que durante quase 30 anos essa moeda pode ter estado em qualquer lugar do mundo, na mão de qualquer pessoa!
Parece besta, mas pra mim é incrível! Eu posso até imaginar a primeira vez que ela foi encontrada...
Pierre Bordeaux era um jovem de vinte e poucos anos, não muito inteligente, mas bem observador. Ele estava passeando pelos jardins da Torre Eiffel, em Paris, quando viu a moeda no chão. Imediatamente abaixou para pegá-la, nem reparando que sua calça rasgou quando ele fez isso.
Pierre se levantou, guardou a moeda no bolso, e olhou para cima. Provavelmente pensou que alguém tivesse jogado a moeda lá do alto da Torre, contando quantos segundos demora pra chegar ao chão.
Enquanto Pierre apertava os olhos para tentar identificar o antigo dono da moeda, a pequena protagonista metálica rolava felizmente pelo rasgo na calça do rapaz, de volta ao chão.
Nãão, não foi Pierre quem ficou com a danadinha. Ele era burro demais para ficar com ela. Foi Michél, o cara da barraquinha de crépe, que assistiu a cena toda em meio a gargalhadas e um crépe de presunto. Quando Pierre foi embora, feliz da vida por ter encontrado (e, mal sabia ele, perdido) uma moeda, Michél foi lá, a pegou para si e colocou no seu cofrinho de economias para viajar ao Brasil.
Talvez tenha sido assim, ou talvez tenha sido de outro jeito.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
domingo, 25 de janeiro de 2009
rárárárá
Sabe uma coisa que eu não suporto?
Gente que não é engraçada mas pensa que é engraçada.
Algumas pessoas nascem com um talento natural para a piada, e, quando percebem o momento ideal, fazem aquele comentário brilhante, que arranca gargalhadas mesmo 5 anos depois, quando lembrado pelos amigos em uma mesa de bar.
Hoje eu fui para Brotas fazer rafting, e o instrutor do bote não era uma dessas pessoas. Não tinha talento, e também não tinha bom senso. Na realidade, tinha pouco mais que uma roupa coladinha de neoprene e uma cicatriz no lábio, que, como ele fez questão de contar setecentas e cinqüenta e três vezes, foi atingido por um remo.
Várias vezes eu me vi na iminência de empurrá-lo do bote, mas provavelmente ele iria rir, jogar água em mim, e fazer algum comentário que, com algum esforço, poderia ser entendido como uma piada.
Vou tentar descrever o passeio:
Primeiro todo mundo se apresenta, (“Oi galera, eu sou o instrutor de vocês, e hoje é minha primeira vez nesse rio...rárárárá” ) depois a gente coloca os coletes e entra no bote, (“Pode entrar no bote, a gente já remendou ele e não vai afundar de novo..rárárárá...”) aí a gente começa a remar, enquanto ele passa as instruções, (“quando eu falar “ADEUS” e sair do bote, vocês se viram!! Rárárárá!), aí a gente chega em algumas quedas d’água, (nossa pessoal, alguma coisa ta errada, a gente não vai conseguir descer!! Rárárárá), aí a gente encontra outros botes, (joga água neles pessoal, qualquer coisa eu falo que vocês que começaram!! Rárárárárá)...
Bom, já deu pra entender né!?! O passeio é demais, recomendo pra quem gosta de aventura, natureza e água, mas só se você conseguir agüentar 14 km de piadas sem graça.
E agora que terminei o post sobre rafting, vou surfar na Internet... rárárárá...
Gente que não é engraçada mas pensa que é engraçada.
Algumas pessoas nascem com um talento natural para a piada, e, quando percebem o momento ideal, fazem aquele comentário brilhante, que arranca gargalhadas mesmo 5 anos depois, quando lembrado pelos amigos em uma mesa de bar.
Hoje eu fui para Brotas fazer rafting, e o instrutor do bote não era uma dessas pessoas. Não tinha talento, e também não tinha bom senso. Na realidade, tinha pouco mais que uma roupa coladinha de neoprene e uma cicatriz no lábio, que, como ele fez questão de contar setecentas e cinqüenta e três vezes, foi atingido por um remo.
Várias vezes eu me vi na iminência de empurrá-lo do bote, mas provavelmente ele iria rir, jogar água em mim, e fazer algum comentário que, com algum esforço, poderia ser entendido como uma piada.
Vou tentar descrever o passeio:
Primeiro todo mundo se apresenta, (“Oi galera, eu sou o instrutor de vocês, e hoje é minha primeira vez nesse rio...rárárárá” ) depois a gente coloca os coletes e entra no bote, (“Pode entrar no bote, a gente já remendou ele e não vai afundar de novo..rárárárá...”) aí a gente começa a remar, enquanto ele passa as instruções, (“quando eu falar “ADEUS” e sair do bote, vocês se viram!! Rárárárá!), aí a gente chega em algumas quedas d’água, (nossa pessoal, alguma coisa ta errada, a gente não vai conseguir descer!! Rárárárá), aí a gente encontra outros botes, (joga água neles pessoal, qualquer coisa eu falo que vocês que começaram!! Rárárárárá)...
Bom, já deu pra entender né!?! O passeio é demais, recomendo pra quem gosta de aventura, natureza e água, mas só se você conseguir agüentar 14 km de piadas sem graça.
E agora que terminei o post sobre rafting, vou surfar na Internet... rárárárá...
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Interpretando a canção
Latino – Festa no Apê
Refrão:
Hoje é festa lá no meu apê
pode aparecer, vai rolar bundalele
hoje é festa lá no meu apê
tem birita até o amanhecer
Chega aí, pode entrar
quem ta aqui, tá em casa
chega aí, pode entrar
quem ta aqui, tá em casa
Olá, prazer
a noite hum.. é nossa
garçom, por favor venha aqui
e sirva bem a visita
Tá bom, tá é bom
aqui ninguém fica só
entra aí e toma um drink
porque a noite é uma criança
Refrão
Tesão
sedução
libido
no ar
no meu quarto tem gente até fazendo orgia
Tá bom, ta é bom
tudo é festa!
pegação
vou zoar o mulherio
e a chapa vai esquentar
Refrão até fade out
---------------------------------------------------------
...Essa música é de difícil interpretação, pois apresenta uma levada alegre e que nada tem a ver com o conteúdo implícito nas linhas dessa dinâmica cantiga inspirada nas belas ideologias espargidas por Marx.
...Essa canção é uma proclamação poética contra a americanização, o capitalismo invasivo e a degradação do ser humano, que é submetido aos produtos desmedidamente. Logo no título (“Festa no apê”) o compositor expressa sua revolta para com essa invasão comercial que faz nossos lares parecerem uma festa de mercadorias, onde nós abrimos mão do direito de sermos cidadãos para nos tornarmos meros consumidores.
...Os produtos são citados de diferentes maneiras: no começo ele diz “birita”, mostrando um linguajar informal e retratando de maneira exata a intimidade que sentimos com esses produtos, como se fossem nossos amigos. Logo depois ele diz “toma um drink”, se referindo à inebria que sentimos quando nossas necessidades são sanadas materialmente, por meio da compra de mercadorias.
...Já a orgia a que ele se refere seria essa interação multi-sensorial entre o consumidor e o produto, uma orgia material. Essa idéia também aparece de outras formas (tesão, sedução, libido), o tesão pelo consumo, a sedução que o capitalismo nos causa, a libido que nos é despertada quando vemos um novo produto, tudo isso para frisar sua teoria de que os produtos são como drogas viciantes.
...A última investida pesada contra o sistema atual é a efemeridade das coisas, a cultura do descartável. O trecho “tudo é festa, pegação, vou zoar o mulherio” deixa isso bem claro, demonstrando que hoje em dia não existe mais amor, lealdade, fidelidade. Tudo se resume a “pegar”, “zoar as mulheres”, como se fossem meros objetos de consumo.
...Essa música é uma das pérolas nacionais, e para muitos desponta como a segunda melhor crítica ao capitalismo e ao sistema burguês, perdendo apenas para o Manifesto Comunista (de Marx e Engels).
Refrão:
Hoje é festa lá no meu apê
pode aparecer, vai rolar bundalele
hoje é festa lá no meu apê
tem birita até o amanhecer
Chega aí, pode entrar
quem ta aqui, tá em casa
chega aí, pode entrar
quem ta aqui, tá em casa
Olá, prazer
a noite hum.. é nossa
garçom, por favor venha aqui
e sirva bem a visita
Tá bom, tá é bom
aqui ninguém fica só
entra aí e toma um drink
porque a noite é uma criança
Refrão
Tesão
sedução
libido
no ar
no meu quarto tem gente até fazendo orgia
Tá bom, ta é bom
tudo é festa!
pegação
vou zoar o mulherio
e a chapa vai esquentar
Refrão até fade out
---------------------------------------------------------
...Essa música é de difícil interpretação, pois apresenta uma levada alegre e que nada tem a ver com o conteúdo implícito nas linhas dessa dinâmica cantiga inspirada nas belas ideologias espargidas por Marx.
...Essa canção é uma proclamação poética contra a americanização, o capitalismo invasivo e a degradação do ser humano, que é submetido aos produtos desmedidamente. Logo no título (“Festa no apê”) o compositor expressa sua revolta para com essa invasão comercial que faz nossos lares parecerem uma festa de mercadorias, onde nós abrimos mão do direito de sermos cidadãos para nos tornarmos meros consumidores.
...Os produtos são citados de diferentes maneiras: no começo ele diz “birita”, mostrando um linguajar informal e retratando de maneira exata a intimidade que sentimos com esses produtos, como se fossem nossos amigos. Logo depois ele diz “toma um drink”, se referindo à inebria que sentimos quando nossas necessidades são sanadas materialmente, por meio da compra de mercadorias.
...Já a orgia a que ele se refere seria essa interação multi-sensorial entre o consumidor e o produto, uma orgia material. Essa idéia também aparece de outras formas (tesão, sedução, libido), o tesão pelo consumo, a sedução que o capitalismo nos causa, a libido que nos é despertada quando vemos um novo produto, tudo isso para frisar sua teoria de que os produtos são como drogas viciantes.
...A última investida pesada contra o sistema atual é a efemeridade das coisas, a cultura do descartável. O trecho “tudo é festa, pegação, vou zoar o mulherio” deixa isso bem claro, demonstrando que hoje em dia não existe mais amor, lealdade, fidelidade. Tudo se resume a “pegar”, “zoar as mulheres”, como se fossem meros objetos de consumo.
...Essa música é uma das pérolas nacionais, e para muitos desponta como a segunda melhor crítica ao capitalismo e ao sistema burguês, perdendo apenas para o Manifesto Comunista (de Marx e Engels).
Manhã de Quarta
Acordei 5 pras 8 da manhã, com um bipe insistente me lembrando que tinha uma reunião da agência.
Enquanto eu ainda estava naquele estado de quase-sonho, só conseguia pensar em uma coisa: “tomara que esteja chovendo”. - Isso porque eu ando a pé, e a chuva é a melhor desculpa que eu tenho para faltas ocasionais.-
Joguei o braço para o lado, e acertei o despertador. Já fazia mais de um mês que eu não usava esse golpe matinal, mas pelo jeito ainda não perdi a prática.
Levantei meio cambaleante, abri a janela na esperança de uma tempestade tropical, com direito a árvores arrastadas e tudo o mais.
Nada.
Nem uma gota. Nem mesmo uma nuvem ameaçadora.
Na verdade até tinham algumas nuvens, mas isso acaba com o efeito dramático da frase de cima.
Caso você ainda não tenha imaginado a cena, era uma manhã de quarta-feira um tanto quanto normal, na verdade era aquele tipo de manhã que, de tão normal, já dava pra saber que o dia não iria trazer nada de especial. Com certeza não foi em uma manhã assim que caiu o Muro de Berlim, ou que Dom Pedro deu seu célebre grito. Não, o máximo que pode acontecer em um dia como esse é uma reunião da agência, e foi só isso que aconteceu.
Enquanto eu ainda estava naquele estado de quase-sonho, só conseguia pensar em uma coisa: “tomara que esteja chovendo”. - Isso porque eu ando a pé, e a chuva é a melhor desculpa que eu tenho para faltas ocasionais.-
Joguei o braço para o lado, e acertei o despertador. Já fazia mais de um mês que eu não usava esse golpe matinal, mas pelo jeito ainda não perdi a prática.
Levantei meio cambaleante, abri a janela na esperança de uma tempestade tropical, com direito a árvores arrastadas e tudo o mais.
Nada.
Nem uma gota. Nem mesmo uma nuvem ameaçadora.
Na verdade até tinham algumas nuvens, mas isso acaba com o efeito dramático da frase de cima.
Caso você ainda não tenha imaginado a cena, era uma manhã de quarta-feira um tanto quanto normal, na verdade era aquele tipo de manhã que, de tão normal, já dava pra saber que o dia não iria trazer nada de especial. Com certeza não foi em uma manhã assim que caiu o Muro de Berlim, ou que Dom Pedro deu seu célebre grito. Não, o máximo que pode acontecer em um dia como esse é uma reunião da agência, e foi só isso que aconteceu.
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